WANDERLEY NOVATO

Técnicas de pesquisa: entrevista, questionário, análise documental e observação direta
As técnicas de entrevista e questionário são muito importantes no contexto da pesquisa científica, porque podem fornecer informações sobre as percepções, sentimentos, opiniões e necessidades vivenciadas pelos respondentes. Informações dessa espécie geralmente são muito difíceis de serem obtidas de outros modos, porque dependem de uma resposta direta dos pesquisados.
São muito úteis para o alcance de objetivos em vários domínios do conhecimento, e por isso estão entre as mais utilizadas técnicas de coleta de dados nas ciências sociais e nas ciências gerenciais, em particular.
A entrevista é uma técnica que se caracteriza pela forma de relacionamento humano estabelecida: é um contato direto, face a face, entre duas ou mais pessoas. Pode organizar-se como entrevista individual, quando um entrevistado e um entrevistador entram em interação, em função de objetivos, ou entrevista de grupo, quando um ou mais entrevistadores e dois ou mais entrevistados interagem em pequeno grupo, em função de objetivos estabelecidos desde o projeto da pesquisa.
Podem ser elaboradas formas específicas de organização e aplicação da entrevista, conforme a finalidade com que se desenvolve a investigação. A entrevista de sondagem é uma coleta de dados fundamentais, a entrevista investigativa serve para comprovação de hipóteses ou suposições básicas, e a entrevista de verificação, é assim chamada porque visa confirmar (ou não) as informações obtidas por outros meios de coleta de dados.
Uma entrevista, conforme sua finalidade pode ser conduzida com uma orientação bastante diretiva. Trata-se da entrevista estruturada, que se assemelha ao questionário porque se desenvolve com base em perguntas pré-definidas, que não podem ser alteradas no momento da aplicação. Entrevistas estruturadas devem ser cuidadosamente planejadas e as perguntas elaboradas em íntima conexão com os objetivos visados. Embora isso seja válido para qualquer entrevista, a linguagem tem de ser muito adequada ao respondente, para que não haja uma interpretação errada do que está sendo perguntado.
Mas a entrevista pode ser conduzida também com uma orientação não tão diretiva. Nesse caso a entrevista não-estruturada é a forma mais aberta, e se desenvolve com base em reflexões que emergem no momento da aplicação, sem um plano pré-estabelecido, mas ainda em função de objetivos definidos para a pesquisa. A entrevista semiestruturada é um meio termo, já que parte de um roteiro estabelecido, mas permite a inserção e a exclusão de questões durante a aplicação; normalmente esse é o tipo mais adequado para as ciências sociais.
É importante lembrar que a análise das entrevistas é mais demorada; podem ser muito longas; por isso, é uma técnica recomendada quando são poucos os sujeitos pesquisados.
Quanto aos questionários, por permitirem a tabulação das respostas e a elaboração de gráficos, quadros ou tabelas, alcançam resultados numericamente mais precisos. Por ser mais superficial, sua aplicação é normalmente mais rápida; por isso os questionários podem ser aplicados a um grande número de respondentes.
Embora a entrevista e o questionário se baseiem na validade de referências orais, existem expressivas diferenças entre os dois. Em um questionário a informação obtida restringe-se a respostas para questões fechadas, pré-elaboradas. O pesquisador pode estar ou não presente no momento da aplicação – isso depende da pesquisa em questão. Alguns chamam de formulário o questionário aplicado na ausência do pesquisador – mas isso não é um consenso. De qualquer forma o formulário é um tipo de questionário.
Na entrevista, como o entrevistador e a pessoa entrevistada estão presentes no momento em que as questões são formuladas e respondidas, há oportunidade de uma flexibilidade maior. Entrevistas escritas devem ser evitadas, e seu uso eventual precisa ser justificado de forma muito satisfatória, porque nega um requisito básico dessa técnica: a interação. Seria, portanto, uma entrevista estruturada.
Em ambos os casos, para entrevistas e questionários, na elaboração das questões é necessário atentar para o seguinte:
1. A ordenação das questões é de suma importância; no caso dos questionários, o design é fundamental, porque pode desencorajar o respondente, se mal desenhado.
2. Toda as perguntas devem ser claras e consideradas como um estímulo, para o qual há uma resposta relativamente estável, embora isso possa não ocorrer;
3. As perguntas devem ser formuladas de modo que as respostas sejam dadas às próprias questões e não a outras situações;
4. A pergunta deve suscitar uma resposta que permita uma interpretação adequada ao contexto da investigação;
5. Não deve haver pergunta desnecessária ou inútil;
6. A pergunta deve ser precisa e não induzir para uma resposta "desejada”, de modo tendencioso.
A análise documental é feita sobre documentos – impressos ou eletrônicos que têm ligação com o campo da pesquisa: podem ser demonstrações contábeis, jornais ou revistas de circulação interna, planos estratégicos, comunicações entre departamentos ou outras publicações.
A observação direta consiste na análise minuciosa do ambiente físico, ou do comportamento de pessoas. Por exemplo, o “flagrante de compra” é muito utilizado em pesquisas da área de marketing. É necessário elaborar um “protocolo de observação”, onde devem ser definidos os tópicos que serão observados – mas a observação deve ter alguma abertura, porque sempre é possível perceber algo não previsto.
Em muitos trabalhos a combinação de várias técnicas é recomendada, porque os resultados de uma podem confirmar ou negar os resultados obtidos através de outra.
Para finalizar, cabe a observação de que não é o pesquisador que “escolhe” livremente a técnica a ser utilizada: o problema de pesquisa, os objetivos, e o recorte do campo da pesquisa é que “pedem” a técnica mais adequada.