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Pressões sobre as empresas e a gestão ambiental empresarial

 

 

De onde vêm as pressões – Governo / Sociedade / Mercado

 

Os motivos para a adoção de práticas ambientais corretas são variados: os gestores costumam elencar alguns fatores relacionados aos ganhos para a própria empresa, além de preocupações ligadas à responsabilidade ambiental e ética:

 

  • os possíveis ganhos de competitividade,

  • a redução de custos,

  • a melhoria ou recuperação da imagem

  • as possibilidades de inovação.  

 

Além disso, existem pressões sobre as empresas no tratamento das questões ambientais, que incluem os seguintes aspectos: 

 

1.      Legais: a quantidade e o rigor cada vez maiores das leis e regulamentos; 

2.      Financeiros: as multas pelo não cumprimento da lei e os custos provenientes das respostas aos acidentes e desastres; 

3.      Culpabilidade pessoal: cresce a pressão para que indivíduos sejam multados ou presos por violar as leis ambientais;

4.      Organizações ativistas ambientais: nos níveis internacional, nacional, estadual e local; 

5.      Consciência cidadã: os cidadãos estão buscando uma série de canais pelos quais possam expressar seus desejos ao mundo empresarial; 

6.      Associações: estão se pronunciando e dando início a programas que possam influenciar um comportamento empresarial voltado ao meio ambiente; 

7.      Códigos internacionais de desempenho, como os Princípios Valdez e a Carta do Meio Empresarial Pelo Desenvolvimento Sustentável, que estão criando pressões globais para o desempenho ambiental responsável; 

Investidores conscientes: os acionistas estão mais atentos ao desempenho e à posição ambiental das empresas, para minimizar o risco de multas, custos e custas de processos; além disso, os investidores consideram riscos, inclusive do passivo ambiental vir a ser cobrado no futuro

8.      Preferências do consumidor: os consumidores estão em busca de empresas e produtos ambientalmente corretos; 

9.      Mercados globais: a concorrência internacional existe hoje no contexto de leis ambientais que tendem aumentar cada vez mais a vigilância no nível internacional;

10.  Política global: uma variedade de organizações e fóruns internacionais exerce uma pressão direta sobre as nações, o que afeta o mundo empresarial.

11.  Concorrência acirrada: as empresas estão sendo pressionadas a ampliar mercados, e os "nichos verdes" vão se ampliando.

 

 

Frente a essas pressões as empresas, assim como os países enfrentam dilemas.

 

 

  • Lucro X preocupações ambientais

  • O impasse para a economia de regiões, países e sociedade global: economia x meio ambiente

  • Impactos sobre a competitividade dos países e das empresas.

 

 É um impasse que o conceito de desenvolvimento sustentável quer superar.

 

Segundo esse conceito (desenvolvimento sustentável), os negócios devem:

 

  1. ·         Satisfazer as necessidades atuais usando recursos de modo sustentável

  2. ·         Manter o equilíbrio com o meio ambiente através de tecnologias limpas, reuso, reciclagem etc.

  3. ·         Restaurar danos

  4. ·         Contribuir para solucionar problemas, ao invés de aumentá-los

  5. ·         Gerar renda suficiente para a sua sustentabilidade econômica

 

De onde podem vir as soluções

 

  • Regulação feita pelo Estado

  •  Iniciativas voluntárias empresariais coletivas (associações de empresas)

  •  Iniciativas voluntárias empresariais pela adoção de práticas ambientais responsáveis

 

Tipos de abordagem da gestão ambiental empresarial:

 

1 Controle da Poluição

 

·         Postura Reativa; a gestão ambiental é vista como custo adicional

 

Características:

 

  • Cumprimento da legislação

  •  Respostas às pressões diretas da comunidade

  • Ações corretivas

  • Tecnologias de remediação (limpar os estragos) e controle final (tratamento de resíduos na própria empresa – incinerador de resíduos, filtros etc.)

  • Problemas: novos resíduos; onde colocá-los; se mudanças na legislação acarretam novos custos

  • Aplicação de normas de segurança

 

  • Envolvimento dos gestores do nível estratégico é eventual

  • Quem se ocupa disso são as áreas envolvidas na geração da poluição

Postura fundamental, mas insuficiente.

 

2 Prevenção da polução

 

  • Postura reativa, mas inicia-se alguma pró-atividade; a gestão ambiental passa a ser vista também como redução de custos e aumento da produtividade

 

Características:

 

  • As ações passam a ser preventivas, além de corretivas

  • Substituição de insumos

  • Mudança da tecnologia

  • Tipos de ações: reprojetar produtos, manutenção preventiva, rever gestão de estoques, evitar resíduos, reuso interno, alongamento da vida útil de equipamentos e recipientes, remanufatura de peças para serem reutilizadas, reciclagem externa (utilizar resíduos de outra unidade produtiva), reaproveitamento de resíduos para geração de energia, disposição adequada e segura de resíduos não aproveitáveis na espera de uma tecnologia que os torne aproveitáveis.

 

Algumas coisas não são difíceis, pela prática de ‘housekeeping’ – organização do local de trabalho, limpeza, redesenho do layout da produção, gestão de estoques, manutenção preventiva etc. Práticas que todo administrador conhece – ou deveria conhecer.

 

O nível estratégico se envolve periodicamente, embora de modo ainda não sistemático

Outras áreas começam a se envolver, como RH, compras, P&D e marketing

 

3. Abordagem Estratégica

 

·         A gestão ambiental é vista sob o prisma da competitividade, e as ações são vistas como obtenção de vantagens competitivas; além de corretivas, assumem uma pró-atividade essencial para a empresa

 

Características:

 

  • O envolvimento da alta gestão passa a ser permanente

  • Toda a organização se engaja, e as ações ambientais ultrapassam a empresa, estendendo-se para toda a cadeia produtiva

 

Resultados esperados:

  •  

  •  Melhoria da imagem empresarial

  • Renovação do portfólio de produtos e serviços

  •  Produtividade aumentada

  • Mais comprometimento de todos na empresa

  • Criatividade e abertura

  • Melhores relações com todos os stakeholders

  • Mais acesso aos mercados externos

  • Mais facilidade para cumprir a legislação

 

 

 Uma comparação - a evolução da gestão ambiental nas empresas e o caminho percorrido pelo movimento pela gestão da qualidade:

 

No início os dois processos são entendidos como custo adicional, e as atividades relacionadas são basicamente corretivas, com pouco envolvimento do nível estratégico da organização. Posteriormente os dois processos tendem a ser disseminados por toda empresa, com o envolvimento direto do nível estratégico, e é assumida a visão de que melhoram a competitividade e trazem muitas vantagens, além dos ganhos mercadológicos.

 

 

Modelos de gestão ambiental empresarial

 

1.      Administração da qualidade ambiental total – Prolongamento e adaptação dos princípios e práticas da Gestão da Qualidade Total para a dimensão ambiental

2.      Produção mais limpa – ênfase na redução de resíduos pela substituição de materiais e mudanças na tecnologia

3.      Ecoeficiência – Foco na redução da intensidade de uso de materiais e energias para aumentar a produtividade com diminuição dos resíduos e outros danos ao ambiente

4.      Projeto para o meio ambiente – A atenção à questão ambiental começa na concepção dos produtos e processos, antecedendo o início das atividades empresariais

 

Esses modelos podem ser aplicados parcial ou integralmente, e podem ser combinados de acordo com a adequação e as necessidades de cada empresa.

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