WANDERLEY NOVATO

Consumo e Sustentabilidade
Fonte: http://www.nutes.ufrj.br/abrapec/ixenpec/atas/resumos/R0908-1.pdf (As referências encontram-se no link)
Os desequilíbrios nos ecossistemas indicam que há algo errado e que é preciso repensar o modelo de relacionamento entre os seres humanos e os recursos naturais. Isso porque as ações antrópicas estão acelerando os processos de instabilidades dos sistemas naturais, ocasionando o que Leis (2001) denominou de “desordem global da biosfera”. Essa desordem resultou em uma crise ecológica que, de acordo com Leff (2002, p. 59), “[...] emergiu nas últimas décadas do século XX, como uma crise de civilização, questionando a racionalidade econômica e tecnológica dominantes”. Por sua vez, Portilho (2005, p. 24) destaca que “[...] não existe uma crise ambiental única, mas uma pluralidade de formas de definição e problematização da mesma e uma disputa por proposições e tentativas de soluções em diferentes setores sociais”.
Ultimamente, há uma variedade de fatores que podem ser responsabilizados pelo surgimento dessa crise que afeta todas as dimensões da sociedade. Entre esses fatores encontramos o consumo. A questão do consumo, de acordo com Zacarias (2009, p. 119), “[...] vem sendo pauta de estudos de diversos autores no mundo contemporâneo”. E, há várias explicações para o evento. Segundo ainda Zacarias (2009, p. 119), a “[...] tese de que o fator organizador da sociedade contemporânea encontra-se na esfera do consumo e não da produção”.
Portilho (2005) afirma que, ao longo das últimas décadas, os fatores responsáveis pela degradação ambiental foram se alterando e, a partir disto, as discussões ganharam novas dimensões. Segundo a autora, o crescimento demográfico foi considerado como o primeiro evento responsável pela pressão sobre os recursos naturais. É bem verdade que o argumento demográfico ocupou um lugar importante no debate do final dos anos 1960 e do início dos anos 1970 (SACHS, 2007).
No entanto, foi contestado por três reflexões, a saber: a principal delas afirma que a limitação do número de consumidores não reduziria de forma considerável a pressão exercida sobre os recursos naturais. Mesmo porque o que deve ser levado em consideração são os seguintes aspectos: o estilo de vida, os modelos de consumo e as tecnologias, uma vez que nem todos os habitantes do nosso planeta têm a possibilidade de usufruir dos bens produzidos a partir dos recursos naturais. Assim, o problema não pode ser atribuído à quantidade de pessoas, mas a intensidade crescente com que uma pequena parcela da população mundial passou a utilizar os produtos oriundos do processo de industrialização.
Conforme Portilho (2005), iniciava-se o primeiro deslocamento do crescimento demográfico para a questão da produção. Com a realização da Conferência de Estocolmo, em 1972, os países em desenvolvimento apontaram as nações industrializadas como as principais implicadas na crise ambiental, uma vez que as indústrias precisavam de uma grande quantidade de matéria-prima, gerando uma série de impactos nos ecossistemas. Assim, os governos passaram a estabelecer novas regras e exigências, forçando, desta forma, a incorporação da pauta ambiental nos processos produtivos.
É a partir da década de 1990, durante as preparações da Rio 92, de acordo com Portilho (2005), que a problemática ambiental foi redefinida, passando a ser relacionada com os altos padrões de consumo das sociedades e das classes emergentes. Portanto, evidencia-se o segundo deslocamento, da produção para o consumo. Portilho (2005, p. 27) afirma o seguinte: “[...] este segundo deslocamento da definição da questão ambiental coincide e pode ser explicado a partir da tendência de mudança paradigmática do princípio estruturante e organizador da sociedade, da produção para o consumo”. Com a emergência do consumo, como fator principal da crise ambiental, novos debates ocorreram na tentativa de minimizar os efeitos da crise. No centro do debate, encontrava-se a educação como um dos fatores que poderia contribuir, de forma significativa, para a construção de uma sociedade sustentável.