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COMUNICAÇÃO AMBIENTAL

 

1) O que é comunicação ambiental

Extraído de: https://www.biotalk.com.br/post/o-que-%C3%A9-comunica%C3%A7%C3%A3o-ambiental

 

A Comunicação Ambiental (CA), segundo o autor Wilson da Costa Bueno [1], “é todo o conjunto de ações, estratégias, produtos, planos e esforços de comunicação destinados a promover a divulgação da causa ambiental”.

Dessa forma, é necessário incorporar os conceitos de comunicação nas teorias e práticas sobre meio ambiente, seja na forma de educação para sustentabilidade, desenvolvimento humano ou em comunicação empresarial.

 

Em ambientes corporativos, a CA é um “processo que uma organização conduz para fornecer e obter informação e para estabelecer um diálogo com partes interessadas, internas e externas, a fim de encorajar um entendimento compartilhado sobre questões ambientais”, de acordo com a ABNT (2009, p.1).

Sendo assim, a comunicação empresarial sustentável melhora sua comunicação interna (entre os colaboradores), com o foco na preservação ambiental, além de estabelecer uma imagem corporativa baseada em princípios socioambientais.

 

Outra área que a CA abrange, é a Educação Ambiental em suas mais variadas formas, seja por meio de cursos, minicursos, palestras e oficinas, ou em Programa de Educação Ambiental completo exigido em PBA (Programa Básico Ambiental).

 

Ou seja, todas as ações que envolvem a comunicação e assuntos do meio ambiente, podem ser trabalhadas no contexto de Comunicação Ambiental.

 

 

2) COMUNICAÇÃO AMBIENTAL COMO ESTRATÉGIA ORGANIZACIONAL.

Carlos Roberto de Oliveira

Extraído de: https://casperlibero.edu.br/wp-content/uploads/2014/04/Carlos-Roberto-de-Oliveira.pdf

Importante foi verificar que o tema ambiental passou a ser assunto importante em todos os níveis da sociedade, desde os encontros de líderes mundiais às discussões em associações de bairros.

Na comunicação organizacional pressupomos uma inter-relação entre a empresa e seus stakeholders visto que há uma partilha de informações, mensagens e opiniões, acarretando uma troca, uma interação e exige a participação ativa dos seus atores. Uma comunicação eficaz definida por Nassar (2005, p. 123) como: Aquela que é pensada e operada como um processo, no qual o comunicador não é mero informador, mas educador. Esse processo educacional se inicia no envolvimento do comunicador no exercício de pensar o futuro da organização na qual trabalha, passa pela aprendizagem dos integrantes da empresa, principalmente a direção, em relação à administração do simbólico organizacional e se completa nas reações dos públicos diante das mensagens da empresa.

A norma NBR ISO 14001:2004 prevê, em seu requisito 4.3.3 – Comunicação, uma comunicação interna entre seus vários níveis e funções, bem como, um procedimento para receber, documentar e responder às comunicações oriundas das partes interessadas.

Deixa, sob sua decisão, se realizará ou não a comunicação externa sobre seus possíveis impactos ambientais.

Como a norma não determina ou sugere como fazer, as empresas têm, na maioria dos casos, implantado seu processo de comunicação ambiental apenas

  • disponibilizando quadros com informações e acompanhamento das metas, para o público interno, e

  • relatórios, ao final do ano, com resultados financeiros da área ambiental, disponíveis ao público externo.

  • É costume, também, disponibilizar algum formulário para sugestões dos funcionários.

Segundo a NBR 14063 (ABNT, 2009, p. 4) as seguintes perguntas poderiam nortear uma estratégia de comunicação ambiental:

1) Por que a organização está se engajando em comunicação ambiental e quais são seus propósitos?

2) Quais as questões e impactos ambientais pertinentes da organização?

3) Quais são as principais questões a serem abordadas, mensagens a serem transmitidas e técnicas de comunicação, abordagens, ferramentas e canais a serem usados?

4) Quanto tempo é necessário para implantar a estratégia?

5) Como a estratégia envolverá e coordenará os gerentes ambientais, partes interessadas, indivíduos responsáveis pelas questões ambientais e os indivíduos responsáveis pela comunicação interna e externa da organização?

6) Quais as fronteiras locais, regionais, nacionais e internacionais para a estratégia?

Ao planejar atividades de comunicação ambiental, convém que a organização identifique os diversos públicos-alvo entre suas partes interessadas. Entender as suas expectativas e percepções quanto ao desempenho ambiental da empresa é muito importante para o alcance dos objetivos propostos. A ISO 14063 sugere que a forma mais simples seria um diálogo direto entre o público e a organização, mas outras ferramentas podem ser utilizadas, desde que as informações necessárias sejam obtidas.

As abordagens e ferramentas da comunicação escrita apresentadas são (ABNT, 2009, p. 12-13):

Sites da internet – meio de comunicação eletrônico, acessível a todas as partes internas e externas online. Pode disponibilizar relatórios para serem copiados, material educativo ou links a sites nos quais o usuário pode fornecer retorno à organização .

Relatórios ambientais ou de sustentabilidade – apresentações abrangentes dos compromissos e do desempenho de uma gama de questões-chave. Extratos ou resumos destes relatórios podem ser incluídos em outros comunicados da organização, como, por exemplo, relatórios financeiros.

Material impresso – relatórios ou brochuras para um breve resumo da planta ou o projeto de interesse específico, questões-chave e como as pessoas podem participar. Boletim com atualização periódica das atividades da planta. Informa e mantém vínculos com as partes interessadas.

Etiquetas ou declarações sobre produtos ou serviços – descrição das questões ambientais significativas associadas a produto ou serviço. No caso de produtos, podem ser afixadas ao produto ou disponibilizadas separadamente.

Cartazes e quadros – descrições de um projeto, ressaltando questões, sendo afixados em locais públicos.

Cartas – sobre questões específicas de e para indivíduos específicos (ABNT, 2009, p. 13).

Correio eletrônico – método eletrônico de enviar informação e mensagens, oferece a oportunidade para enviar cópias eletrônicas de publicações impressas (ABNT, 2009, p. 13).

Mídia: artigos em jornais – explicam as características de uma unidade ou de um projeto.

Mídia: comunicados à imprensa – a informação é preparada e distribuída à mídia para seu uso.

Mídia: publicidade – Material promocional pago, por exemplo, um anúncio em jornal ou patrocínio de uma seção (tal como uma página ambiental no jornal regional) .

Abordagens e ferramentas da comunicação oral (ABNT, 2009, p. 14:17):

Reuniões públicas – forma de apresentar informação e trocar ideias. Tratam de uma agenda específica ou aspecto de um projeto. Consistem em apresentações e sessões de perguntas e respostas ou depoimentos formais.

Entrevistas com partes interessadas / contatos pessoais – falar com as pessoas em seus lares, escritórios ou local neutro.

Grupos de foco – reunião com um grupo pequeno de partes interessadas de nível/base semelhante (por exemplo, representantes do governo ou residentes) para discutir um tema específico .

Pesquisas – questionários aplicados em partes interessadas (pode ser efetuado por uma organização independente, se necessário) para levantar informação demográfica dos respondentes e indicar quais suas questões e preocupações .

Convites abertos, dias informativos, visitas à unidade, vídeos – Convites abertos são realizados normalmente em um local público e central e propiciam a chance para que pessoas façam perguntas e debatam questões. Dias informativos podem ser combinados com visitas à unidade a fim de dar ao público a oportunidade de ver a fábrica e fazer perguntas.

Vídeos podem ser usados em qualquer um desses eventos para explicar as operações das instalações .

Visitas guiadas com enfoque ambiental – visitas oferecidas a públicos-alvo a áreas ou instalações de interesse para a organização .

Oficinas, conferências, debates – São oportunidades para que uma variedade de partes interessadas discuta ideias, preocupações e questões .

Entrevistas com a mídia/rádio – Programas curtos normalmente voltados ao debate ou resposta a questões específicas .

Grupos comunitários consultivos ou grupos de contato comunitário – grupos formados por pessoas de fora da organização com vários interesses e experiências que se reúnem periodicamente para fornecer conselhos em questões ambientais sob a ótica das partes interessadas .

Central de atendimento – ajuda e informação disponíveis por telefone às partes interessadas sobre os aspectos ambientais e outros aspectos dos produtos.

Apresentações em grupo – palestras para grupos interessados, normalmente realizadas no local de encontro normal do grupo. Uma palestra breve é seguida de uma seção de perguntas e respostas. Pode ser usada para grupos internos ou externos.

Jantares com partes interessadas / jantares de negócios sobre sustentabilidade – Série de reuniões de grupo que juntam partes interessadas diferentes tanto para lançar um relatório como para discutir sustentabilidade.

Apresentações de teatro – uso de peças teatrais para apresentar informação ambiental a partes interessadas internas ou externas.

Outras abordagens de comunicação e ferramentas (ABNT, 2009, p. 18):

Projetos cooperativos – projetos desenvolvidos conjuntamente por uma organização e uma comunidade para um comprometimento mútuo com o desenvolvimento sustentável .

Acordo de sustentabilidade – um acordo obtido entre uma organização e uma comunidade para um comprometimento mútuo com o desenvolvimento sustentável.

Exibições de arte – mostra de obras de arte em torno de temas ambientais.

 

3) A comunicação ambiental na norma ISO 14063

Extraído de: https://noviental.wordpress.com/2011/01/05/a-comunicacao-ambiental-na-norma-iso-14063/

A norma ISO 14063 define comunicação ambiental como sendo o processo de compartilhar informação sobre temas ambientais entre organizações e suas partes interessadas, visando construir confiança, credibilidade e parcerias para conscientizar os envolvidos e para utilizar as informações no processo decisório.

As atividades de comunicação ambiental são divididas em cinco passos de implementação:

a)    Planejamento da atividade de comunicação ambiental

Nesta etapa, a empresa promove a análise da situação atual, define metas, seleciona o público-alvo, estabelece a abrangência geográfica e identifica as informações ambientais pertinentes à sua comunicação ambiental.

O contexto de sua comunicação ambiental é definido através de uma análise da situação atual, levando em consideração os custos potenciais e as conseqüências de não se comunicar. Vários questionamentos podem servir de base à essa contextualização:

  • Identificação e entendimento das questões de interesse dos stakeholders;

  • A imagem pública da empresa;

  • As questões ambientais mais relevantes relacionadas às atividades, produtos e serviços da organização;

  • Os meios de comunicação e as atividades que se provaram mais efetivas para esta finalidade anteriormente.

O próximo passo é a definição das metas ambientais, ou seja, decidir o que a empresa deseja alcançar com suas atividades de comunicação ambiental. As metas devem ser objeto de acompanhamento para avaliar se os objetivos de comunicação foram atingidos.

Os principais stakeholders devem ser selecionados para que a comunicação ambiental seja a eles direcionada, sem perder de vista que as partes interessadas podem ter interesses conflitantes. Ao público de relacionamento deve ser esclarecido que as informações repassadas e o feedback recebido são tratados dentro do escopo do planejamento da atividade ambiental, onde a empresa responsabiliza-se por ações de resposta aos questionamentos.

Diferentes lugares, linguagens, culturas e hábitos podem requerer uma comunicação regionalmente segmentada. Para que a empresa atenda a esta diferenciação, as localidades que exigem segmentação regional devem ser definidas.

Finalmente, a relevância das informações que serão comunicadas aos stakeholders deve ser obtida através da análise do desempenho ambiental da organização. Aspectos e impactos ao meio ambiente e a estratégia utilizada para prevenção de poluição devem ser comunicados utilizando dados qualitativos e quantitativos.

b)   Seleção de ferramentas e abordagens de comunicação ambiental

Nesta etapa, ocorre a definição das responsabilidades e das participações internas e externas no processo de comunicação.

Os treinamentos dos funcionários responsabilizados por atividades de comunicação ambiental devem ser planejados e realizados.

A última atividade desta etapa é o planejamento das atividades de comunicação de emergências e acidentes ambientais para ser utilizada nas situações onde porventura sejam requeridas.

c)    Execução de atividades de comunicação ambiental

A coleta e avaliação de dados obtidos na condução de atividades de comunicação ambiental devem ter seu registro apropriadamente efetuado. As contribuições dos públicos de relacionamento devem ser registradas, enfatizando as datas e as naturezas dos contatos entre eles e a empresa, permitindo a manutenção de um arquivo histórico da evolução dos questionamentos e do engajamento das partes interessadas.

Os feedbacks dos stakeholders devem ser estimulados, pois através deles a organização pode avaliar as reações à comunicação ambiental e verificar o entendimento das partes interessadas sobre a relevância do conteúdo informado.

d)    Avaliação da comunicação ambiental

A organização deve utilizar indicadores para monitorar se seus objetivos de comunicação ambiental estão sendo alcançados. Alguns exemplos são apontados na norma ISO 14063:

  • Número de artigos publicados na mídia;

  • Número de visitas à seção de comunicação ambiental da página de Internet da empresa;

  • Índice de respostas dos stakeholders aos questionários ambientais.

e)    Análise da comunicação ambiental e planejamento de revisões

Fechando o ciclo PDCA, a revisão da política e das metas de comunicação ambiental pode ocorrer após uma análise crítica do processo, executada com uma frequência definida.

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