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Estudo de caso – O Preço da Criatividade 

 

A empresa Colorful é formada por muitas unidades de negócios diversificados. Produz desde tubos para cremes dentais, adesivos, material de escritório e tintas para aplicações em construção e automóveis, até produtos de alta tecnologia como equipamentos médicos e eletrônicos para aviões. Ela vem crescendo ininterruptamente desde que, há mais de 100 anos, seus fundadores a criaram na Europa como um pequeno negócio de tintas e corantes.

 

Esse crescimento com diversificação tem sido possível porque a empresa tem uma grande equipe de engenheiros e cientistas de primeira linha. Junto com uma estrutura de produção e vendas bastante competente, a Colorful é capaz de inovar constantemente, produzir e distribuir sem dar trégua para a concorrência. Todos os anos, 20% de suas receitas vêm de produtos que não existiam cinco anos antes.

 

Em todo o mundo a empresa é um empregador ambicionado por muitos jovens que estão freqüentando cursos de ciências em todas as áreas. Entrando na empresa eles sabem que terão apoio para continuar estudando, tempo e liberdade para criar, além de verbas generosas para as áreas de pesquisa e desenvolvimento de produtos (P&D). A parte mais atraente é a possibilidade de participar nos lucros gerados por produtos novos. Pesquisadores mais antigos que criaram produtos bem sucedidos ficaram em situação financeira bastante confortável. Embora a empresa tenha um programa de participação para todos os funcionários, as vantagens do pessoal de inovação são maiores.

 

No entanto, como em outras empresas globais, a crise bem causando problemas significativos; o desempenho global das vendas e lucros vem caindo em todas as áreas. Há seis meses um novo presidente foi contratado pelos acionistas representados no Conselho de Administração, para tentar reverter a situação. John McCoy, o novo presidente, planejava cortar cerca de 8 mil empregos de um total de 80.000 em todo o mundo; a missão era deixar a empresa mais enxuta.

 

McCoy olhava para todas as áreas da empresa, e também começou a olhar as despesas com as áreas de P&D. Todo o mercado conhecia a história de inovações e sucesso da Colorful, mas, aparentemente, os engenheiros não estavam conseguindo contribuir para a solução dos problemas - mesmo com o enorme orçamento e centenas de pesquisadores. Ele pensou então em reduzir o contingente de pesquisadores, cortar verbas, e exigir horário de trabalho semelhante ao restante da empresa, implantando padrões uniformes de desempenho. Isso não apenas mudava a situação da pesquisa, como também contrariava a tradição da empresa de não demitir e dar liberdade aos chefes das unidades de negócio. Mas McCoy estava realmente confuso quanto à maneira de fazer o que pretendia. Um dos pesquisadores mais conhecidos, que tinha criado os dois produtos mais bem sucedidos da empresa, nos últimos 5 anos havia fracassado em dois projetos muito caros, mas não se abalava, dizendo que “a genialidade não tem pressa”. Ele – que era conhecido até fora da empresa, também deveria ser demitido?

 

Nas outras áreas da empresa também poderia haver cortes; havia muitos funcionários que não tinham salários tão altos, mas trabalhavam bem e estavam lá há muitos anos. A empresa funcionava de modo bem harmônico, e qualquer ato brusco seria mal visto.  A verdade é que a empresa nunca passara por uma situação como aquela.

 

Ele levou sua idéia ao conselho de administração. Alguns membros mais jovens do conselho apoiavam McCoy, admitindo que nem sempre as verbas generosas geravam resultados compatíveis, e que talvez houvesse gente demais no setor de P&D. O presidente do conselho, um veterano da empresa, disse: “Sua tarefa é conseguir resultados num ambiente econômico turbulento, mas você precisa de equilíbrio. Se você sufocar o espírito criativo da empresa, irá fracassar. Se deixar tudo como está, também. Essa crise vai passar, embora não saibamos quando, e nem como estaremos nessa ocasião. Todos pensaremos nisso por uma semana, quando você apresentará uma proposta de implementação – se não tiver outra ideia. Então votaremos”.

 

 

1. De que forma a inovação se encaixa nos planos de McCoy? (Ele dá a ela muito ou pouco valor?) O que você pensa sobre isso?

2. Comente o modelo de organização que McCoy encontrou, e proponha um plano de implementação para as demissões. Quem deve ser demitido, como, porque, e qual o ritmo do plano?

3. Você vê alguma solução para estimular a inovação sem gastar tanto dinheiro?

4. Como você reagiria se trabalhasse na área de inovação da Colorful?

5. Como você reagiria se trabalhasse em outra área – marketing, finanças, RH, TI ou produção?

6. Quais os impactos positivos e negativos dos planos de McCoy?

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